terça-feira, 22 de setembro de 2009

É esta a igreja de Deus?
Não costumo trazer casos pessoais para a coluna, mas hoje adoto uma exceção. Neste fim de semana casou-se minha única filha Maíra que trouxe para junto de nós um filho: Gustavo. Todos católicos, procuramos a igreja que supúnhamos nossa para realizar a cerimônia. Não contava com a hipocrisia de uma igreja retrógrada cujo bispo não permite mais casamento fora do “templo”. Como se todos eles respeitassem este local supostamente “sagrado”, onde até atos de pedofilia são praticados a granel. Não nos fez falta, pois a oficialidade do casamento foi celebrada pela competente e atenciosa juíza Graça Gurgel, cumprindo todos os ritos cartoriais. Tampouco nos faltou a igreja, pois lá estiveram a palavra e a benção de Deus na pessoa do filosofo e espírita, meu professor Luiz Pereira. Não nos faltaram os amigos queridos que compartilharam conosco uma grande alegria. Os noivos estavam radiantes de felicidades e as duas famílias irmanadas no cristianismo verdadeiro. Vejam o que me diz um amigo padre: “Quem mais se sente incomodada com a geografia da fé é a Igreja Católica. Nos últimos anos o número de católicos no Brasil decresceu 20% e nada indica que haveremos de recuperar. A igreja católica tenta correr atrás com suas showmissas, os padres aeróbicos ou cantores. É a espetacularização do sagrado, fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão. É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13. 20-21)”. Nesta estatística passo e me incluir, pois esta não é a minha igreja.
Tenho alguns amigos na Igreja Católica. Entre estes, com muita honra, um que vale por centenas deles. Estaria aqui comigo neste momento caso não estivesse em compromisso na Suécia. É uma das maiores expressões da verdadeira igreja de Deus, respeitado internacionalmente, com mais de 50 livros escritos. Contei-lhe a história e dele recebi esta mensagem:
“Caro Pedro: acabo de enfrentar problema idêntico ao de sua filha aqui no interior de SP. Agravado pelo fato de a noiva ter sido violentada, quando adolescente, por um padre... Ainda assim, queria casar na igreja, mas o bispo impediu que eu desse a bênção, impediu que fosse fora do templo, e ainda falou horrores à moça, o que considero nova violação, desta vez simbólica, mas não menos grave.
Tomara que a sua filha consiga após tudo isso, entender que estamos na Igreja, não por causa dela em si, e sim pelos valores encarnados e pregados por Jesus. Pelo que vc diz, ela vive integralmente as Bem-Aventuranças, que são os novos mandamentos.
Vá sim em busca de uma bênção para eles. E diga a eles que, teologicamente, os ministros do matrimônio são os próprios noivos. O sacerdote é apenas testemunha autorizada de que eles se casaram na Igreja. Até o século IX os noivos se casavam sem necessidade de presença sacerdotal. Basta se sentirem na presença de Deus, cuja Presença se manifesta no Amor que os une. Pois Deus é Amor e quem ama conhece a Deus, diz a Primeira Carta de São João. Abraço-o com muita paz,
Frei Betto”.

Coluna PEDRO OLIVEIRA
Para ter acesso ao conteúdo completo clique em "colunas" na barra no topo desta página.

Nenhum comentário:

Em defesa do Sistema S O Brasil inteiro, (principalmente aqueles setores que produzem, formam e criam milhões de oportunidades de ...