É esta a igreja de Deus?
Não costumo trazer casos pessoais para a coluna, mas hoje adoto uma exceção. Recentemente casou-se minha única filha Maíra que trouxe para junto de nós um filho: Gustavo. Todos católicos, procuramos a igreja que supúnhamos nossa para realizar a cerimônia. Não contava com a hipocrisia de uma igreja retrógrada cujo bispo não permite mais casamento fora do “templo”. Como se todos eles respeitassem este local supostamente “sagrado”, onde até atos de pedofilia são praticados a granel. Não nos fez falta, pois a oficialidade do casamento foi celebrada pela competente e atenciosa juíza Graça Gurgel, cumprindo todos os ritos cartoriais. Tampouco nos faltou a igreja, pois lá estiveram a palavra e a benção de Deus na pessoa do filosofo e espírita, meu professor Luiz Pereira. Não nos faltaram os amigos queridos que compartilharam conosco uma grande alegria. Os noivos estavam radiantes de felicidades e as duas famílias irmanadas no cristianismo verdadeiro. Vejam o que me diz um amigo padre: “Quem mais se sente incomodada com a geografia da fé é a Igreja Católica. Nos últimos anos o número de católicos no Brasil decresceu 20% e nada indica que haveremos de recuperar. A igreja católica tenta correr atrás com suas showmissas, os padres aeróbicos ou cantores. É a espetacularização do sagrado, fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão. É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13. 20-21)”. Nesta estatística passo e me incluir, pois esta não é a minha igreja.Tenho alguns amigos na Igreja Católica. Entre estes, com muita honra, um que vale por centenas deles. Estaria aqui comigo neste momento caso não estivesse em compromisso na Suécia. É uma das maiores expressões da verdadeira igreja de Deus, respeitado internacionalmente, com mais de 50 livros escritos. Contei-lhe a história e dele recebi esta mensagem:“Caro Pedro: acabo de enfrentar problema idêntico ao de sua filha aqui no interior de SP. Agravado pelo fato de a noiva ter sido violentada, quando adolescente, por um padre... Ainda assim, queria casar na igreja, mas o bispo impediu que eu desse a bênção, impediu que fosse fora do templo, e ainda falou horrores à moça, o que considero nova violação, desta vez simbólica, mas não menos grave.Tomara que a sua filha consiga após tudo isso, entender que estamos na Igreja, não por causa dela em si, e sim pelos valores encarnados e pregados por Jesus. Pelo que vc diz, ela vive integralmente as Bem-Aventuranças, que são os novos mandamentos.Vá sim em busca de uma bênção para eles. E diga a eles que, teologicamente, os ministros do matrimônio são os próprios noivos. O sacerdote é apenas testemunha autorizada de que eles se casaram na Igreja. Até o século IX os noivos se casavam sem necessidade de presença sacerdotal. Basta se sentirem na presença de Deus, cuja Presença se manifesta no Amor que os une. Pois Deus é Amor e quem ama conhece a Deus, diz a Primeira Carta de São João. Abraço-o com muita paz,Frei Betto”.
Coluna PEDRO OLIVEIRA
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