segunda-feira, 19 de setembro de 2011



Para refletir: A corrupção é sorrateira, tira vidas e oportunidades silenciosamente e é isto que a faz o pior dos crimes.




As redes sociais e o Grito das Ruas
O povo brasileiro está cansado de seus políticos e governantes desonestos. Não suporta mais trabalhar e observar que impostos são desperdiçados nos desvios da corrupção. E o brasileiro é enganado justamente por aqueles que deveriam o representar, lutar por seus direitos, influir e decidir sobre uma saúde digna, uma educação adequada e a segurança à qual todos tem o direito constitucional e humano.
No dia da Independência comemorado esta semana diferenças foram esquecidas, ideologias colocadas de lado, partidarismo afastado e milhares de brasileiros saíram ás ruas não apenas para protestar, mas para colocar para fora toda a indignação com a corrupção epidêmica na política e em busca de um Brasil mais justo e mais ético.
Movidos pela convocação de duas importantes redes sociais (Twitter e Facebook) as mobilizações populares encheram avenidas nas principais cidades, ganharam a Esplanada dos Ministérios e assustou o Poder. Na contabilidade da polícia militar do DF mais de dez mil manifestantes saíram às ruas de Brasília com rodos, vassouras, baldes e sabão para fazer uma faxina simbólica no Governo e no Congresso Nacional.
Falando a um repórter desabafou a professora Mariolan Matos, que fez questão de divulgar seu RG (5320399/SP): “O País está ingovernável. Por muito menos o Collor foi afastado! Esse governo já deveria ter sido declarado legalmente impedido, mas os malditos tentáculos da corrupção já se espalharam! Brasil em transe! Vamos nos unir, o povo unido jamais será vencido. Setembro negro, como negro é o buraco da corrupção por onde escoam o suor de milhões e milhões de Brasileiros e Brasileiras sérios que constroem este país”.
O cronista Reinaldo Azevedo postou em seu blog: “Brasileiros inconformados com a corrupção na política nacional tomaram nesta quarta-feira a avenida símbolo da maior cidade do país, a Avenida Paulista, em São Paulo. Grupos suprapartidários formados por cidadãos unidos pela indignação promoveram manifestações. Com o rosto pintado de verde e amarelo, bandeiras do Brasil e cartazes contra a corrupção nas mãos, os manifestantes entoavam o Hino Nacional e o grito de “Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. O mote era o mesmo: um basta na corrupção.
As duas redes sociais convocaram e os brasileiros comemoraram um Dia da Independência diferente. Pode ser o começo de um novo tempo, graças a sinais de intolerância contra a corrupção que assola o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Hoje já não se fala em político sem que a palavra corrupção não esteja em pauta. Não é sem razão que a educação, a saúde e a segurança estão em frangalhos, carcomidas pelos tentáculos desse monstro que conserva o Brasil um país de miseráveis. Na comemoração do 7 de Setembro uma frase publicada no Twitter dirigida aos nossos políticos: “Não brinquem nem façam pouco caso. As redes sociais, a coragem da imprensa e o grito das ruas vão mudar este país”.


Ética na política?
Senadores da Frente Suprapartidária Anticorrupção foram homenageados na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro por suas manifestações e ações em defesa da ética e moralidade na política. Eles foram condecorados com a Medalha Mérito Industrial, mais alta honraria da entidade. Durante o ato, o sistema Firjan lançou o "Manifesto do Empresariado Brasileiro em Favor da Ética na Política", que reitera princípios de defesa da ética na política e da transparência no trato da coisa pública. Nenhum senador alagoano faz parte da Frente Anticorrupção e também nenhum entre os homenageados.


Judiciário adere à censura
Desde que o presidente Hugo Chávez assumiu o poder, em 1999, o governo da Venezuela já fechou três canais de TV e 32 emissoras de rádio críticas a ele, revogando suas licenças de funcionamento. Na semana passada, pela primeira vez, um tribunal ordenou o fechamento de um jornal, o 6to Poder, e a prisão de seus editores, por terem “insultado funcionários públicos, incitado o ódio”. É a Justiça sucumbindo ao ditador venezuelano. E os marginais do PT ainda vêm falar em “controle social da mídia” para o Brasil. Eles adoram copiar o que há de pior nas republiquetas da América Latina. Mas nós estamos de olho.


Corrupção hedionda

Tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado um projeto do senador Pedro Taques (PDT-MT) que transforma em crimes hediondos os delitos de concussão, corrupção passiva e corrupção ativa. Ao justificar o projeto, Pedro Taques afirmou que é seu intento mudar o paradigma segundo o qual crimes hediondos são apenas aqueles cometidos com violência física direta, ocasionando repulsa nos cidadãos em razão dessa violência. "Para além dos delitos já tradicionalmente entendidos como hediondos, deve-se perceber a gravidade dos crimes que violem direitos difusos, coletivos e que atingem grandes extratos da população. O resultado prático dessa situação é a morte diária de milhares de pessoas que poderiam estar vivas caso o Estado cumprisse a Constituição e garantisse a concretização de seus direitos fundamentais sociais".


Aqui e o Afeganistão
Alagoas é tema mais uma vez da revista internacional The Economist e não por suas belezas naturais ou potencialidades, mas por uma humilhante comparação com o Afeganistão, país da Ásia com os maiores índices de miserabilidade e instabilidade social. A matéria é fechada com a frase em tom de surpresa: “Quem diria que o Estado da região Nordeste, que hoje é mais famoso por suas taxas de homicídio do que por suas praias magníficas, tem o mesmo PIB per capita da China?”


Não é se não quiser
Deputado João Lyra só não será candidato a prefeito de Maceió se não desejar mesmo. Tem o apoio fechado de praticamente todas as lideranças da oposição estadual, tem o beneplácito do prefeito Cícero Almeida com um caminhão de votos nas costas, tem o aval do habilidoso senador Renan Calheiros. E um detalhe: o povo acredita nele por sua história de sucesso na vida empresarial. E ai me faz lembrar uma máxima que sempre ouvia do meu velho e saudoso pai: “Quando for votar em um candidato peça para ver a Carteira de Trabalho dele, pois ali tem toda a sua história. Procure ver se ele é uma pessoa que obteve sucesso na vida privada, sem roubar . Se ele é uma pessoa que mesmo antes de ser candidato já ajudava seu semelhante. Ai decida o voto”. O deputado João Lyra preenche todos esses predicados. Pode então ser candidato.

PÉ DE PÁGINA
OS PARLAMENTARES que votaram contra a cassação da corrupta explícita Jaqueline Roriz se revelaram desprezíveis. Talvez sejam da mesma laia (Leonardo Boff).

FALE COM seu amigo, com seu irmão, com seu colega de escola, com seu colega de igreja, para que se organizem nesse movimento de paz e de respeito pelo fim da corrupção. (Senador Pedro Simon)

segunda-feira, 4 de julho de 2011



Corrupção nos Transportes deve derrubar ministro do PR

Brasília - O afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes por suspeita de corrupção pela presidente Dilma Rousseff no final de semana deixou o ministro Alfredo Nascimento em posição insustentável no comando da pasta, na avaliação de aliados do Palácio do Planalto no Congresso. A queda do ministro é esperada em breve pelos governistas e a oposição avalia a apresentação de um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso. Hoje, ele tem uma reunião decisiva com a presidente Dilma, no Planalto.
A rapidez com que Dilma atuou no episódio levantou ressentimentos na base. Parlamentares aliados previam, ontem, dificuldades futuras para a presidente na relação com os partidos que a apoiam no Legislativo. Eles sustentam que a presidente humilhou o PR, que comanda o Ministério dos Transportes, e fragilizou a confiança com a base pela forma com que agiu.
Dilma anunciou o afastamento assim que a revista Veja começou a circular com a denúncia sobre um esquema de cobrança de propinas na pasta, na manhã de sábado, sem dar chance ou prazo para explicações ao ministro Alfredo Nascimento. Esses fatos, avaliam governistas, revelam que Dilma já pretendia fazer mudanças no ministério e aproveitou a oportunidade.
Nos bastidores, as desconfianças com a presidente vão além. Setores da base afirmam não ter dúvidas de que as informações sobre o suposto esquema foram passadas à revista por integrantes do próprio governo.
Reportagem publicada pela revista revela o funcionamento de um esquema montado nos Transportes baseado na cobrança de propinas de 4% das empreiteiras e de 5% das empresas de consultoria que elaboram os projetos de obras em rodovias e ferrovias.
Foram afastados pelo governo o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa Silva, e o assessor Luís Tito Bonvini.
"Ao afastar, como fez, os suspeitos apontados pela revista, a presidente legitimou as denúncias, que não traziam nenhuma prova. Ela criou uma oportunidade para a abertura de uma CPI no Senado", avaliou um deputado da base de Dilma. "A presidente vai ter uma crise política com o PR, que vai dar o troco mais tarde", continuou o aliado.
Oposição
Ao mesmo tempo em que aplaudiu a atitude de Dilma, a oposição quer mais investigações. O PSDB avalia a criação de uma CPI. O líder do partido na Câmara, Duarte Nogueira (SP), afirmou que o partido vai entrar com um pedido de investigação no Ministério Público Federal, com um requerimento à Polícia Federal e com uma solicitação de auditoria especial para o Tribunal de Contas da União (TCU). Um requerimento de convocação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, será apresentado nesta semana em uma comissão técnica da Câmara.
"Os fatos são graves. O afastamento foi correto, mas há necessidade de investigações mais profundas", disse o tucano.
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) cobrou a demissão do ministro Alfredo Nascimento junto com a equipe. "Será que ele não sabia? A ser verdade a diatribe contra o pessoal do ministério, a presidente tinha obrigação de demitir todos", disse.
O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO ), considerou que Dilma deu uma resposta imediata. "Espero que ela continue nesta linha", disse. "O ministro também deve entrar na linha de tiro da presidente. Torcemos para que o surto moralizador vá adiante", completou.
Fonte: Agência Estado

domingo, 3 de julho de 2011







MAIS UM CORRUPTO EM BRASÍLIA


Pedro Oliveira

Segundo o Jornal O GLOBO edição deste domingo o suplente do digno senador Itamar Franco que faleceu ontem ( sábado) tem um passado cheio de trapalhadas e já é figura conhecida da Polícia Federal e do Ministério Público, com graves acusações de enriquecimento ilícito,lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes mais. Seu nome: ZEZÉ PERRELLA.
É lamentável que vai preencher o lugar de um homem probo, ex-presidente do Brasil e que sempre pautou sua vida nos princípios da moralidade e da legalidade.
Por outro lado não vai fazer muita diferença diante dos demais que habitam o plenário e os gabinetes do Congresso Nacional. Será mais um a sentar os gordos glúteos nas confortáveis cadeiras do Senado com acusações de corrupção, mas que agora passa a ter prerrogativas que o irá “blindar” dos tentáculos da Justiça. Este é o Brasil que temos mais com certeza não é o que merecemos.
Eis aqui a matéria do Jornal O GLOBO

BRASÍLIA - Deverá provocar barulho a chegada ao Senado do suplente do ex-presidente Itamar Franco, Zezé Perrella (PDT-MG). Com a morte do senador mineiro, o presidente do Cruzeiro herda um mandato quase inteiro no Senado e, de quebra, ganha refresco em investigações por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Na condição de parlamentar, terá foro privilegiado, o que significa que as investigações agora dependem de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um colecionador de títulos na Raposa, pelo Cruzeiro, Perrella se notabilizou pelas complicações com o Ministério Público e a Polícia Federal. Há pouco mais de um mês, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas abriu investigação para apurar como o cartola, que exerceu mandato de deputado estadual entre 2007 e 2011, adquiriu a Fazenda Guará, em Morada Nova de Minas, produtora de grãos e gado. A propriedade valeria mais de R$ 50 milhões, apesar de Perrella ter declarado à Justiça Eleitoral, no ano passado, patrimônio de R$ 490 mil, numa denúncia feita inicialmente pelo jornal "Hoje em Dia".
A Guará está em nome da Limeira Agropecuária e Participações Ltda., empresa em nome dos filhos de Perrella, Carolina Perrella Amaral, e o deputado estadual mineiro Gustavo Henrique Perrella, eleito no ano passado, graças ao apoio do pai. O cartola alega que "doou" seus bens aos filhos. A Polícia Federal apura indícios de lavagem de dinheiro na aquisição da fazenda e pesados investimentos feitos na propriedade, posteriormente.
No ano passado, a PF já havia indiciado o futuro senador Zezé Perrella por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda do jogador Luisão, em 2003. O inquérito foi remetido ao Ministério Público Federal. O zagueiro foi negociado por US$ 2,5 milhões com o empresário Juan Figger, que teria usado o Central Espanhol Futebol Clube, time uruguaio de pouca expressão, como "laranja" na operação. Em seguida, o jogador foi vendido por US$ 1 milhão a menos ao Benfica. Segundo a PF, o esquema teria sido usado para ocultar dinheiro não declarado ao Fisco. Perrella nega as acusações.

segunda-feira, 20 de junho de 2011




Abaixo o relato emocionante sobre a visita de um grupo de jovens que chamei de "heróis da cidadania" aos acampamentos das vitimas da última enchente ocorrida em Alagoas, que neste dia 18 completou um ano. O belo texto de Candice Almeida relata a sua visão crítica e humana do drama de centenas de pessoas que ainda sofrem as consequencias de uma tragédia.


A verdade sobre as vítimas das enchentes de 2010 em Alagoas


Blog PALAVRAS AO VENTO - Candice Almeida


No últmo dia 18, junto com um grupo de amigos interessados no que teria acontecido com as vítimas das enchentes do ano passado, visitamos quatro das dezenove cidades atingidas pela enxurrada.

Cada um de nós possuía intenções claras com a visita, e todas convergiam para um mesmo objetivo, o de tentar dar voz àqueles que aparentemente estão esquecidos pela sociedade. Com certeza serão apresentadas visões diferentes, cada um retratando o que viu, o que sentiu e, principalmente, como foi atingido.

Eu, por minha vez, proponho uma visão muito particular. Antes de ir, divulguei que a minha intenção era de alertar a sociedade sobre o que teria ocorrido àquelas vítimas depois da tragédia que assolou seus lares, suas cidades e devastou suas vidas.

As pessoas que se chocaram e se sentiram tocados com aquelas imagens aterradoras e com o sofrimento de conterrâneos desolados se mobilizaram no sentido de ajudar com as necessidades primárias que momentos como este requerem, desde vestuário, alimentação, água potável e material de higiene pessoal.

A intenção inicial era de prestação de contas a esses heróis sociais, que na hora do desespero e caos total, inclusive das instituições de representação política, tomaram as rédeas da situação e, cada um a seu modo, e de acordo com suas possibilidades, contribuiu de alguma forma.

Lamentavelmente não poderei prestar tais contas, não foi possível saber a real utilização dessas doações, que não foram só materiais, mas também humanitárias, de tempo e de carinho.

Venho apenas informar o que constatei. Infelizmente a situação daquelas pessoas pouco mudou, suas necessidades continuam sendo as mesmas de momentos caóticos que sucedem tragédias recém ocorridas.

Elas continuam vivendo em situação de miserabilidade completa. Não me refiro à alimentação básica, esta, pelo que pudemos ver, é de boa qualidade. Mas continuam vivendo pior que animais a chafurdarem na lama, e isto não é uma figura de linguagem. Não, crianças não têm opções de lazer, brincam em qualquer poça d’água, mas num lugar onde não há água encanada, nem água limpa em abundância, muito menos material de limpeza, qualquer água parada é sinônimo de lama.

As crianças estão perdendo sua infância, inventando brincadeiras com o que têm a mão, o que não se resume ao lamaçal, revolto em lodo e em dejetos humanos, mas também aos exemplos que lhes são impingidos pela sociedade que estão formando, às margens de comunidades favelizadas e dominadas pelos bandidos.

Hoje vejo claramente o quão pretensiosa fui ao achar que poderia exprimir em palavras o cotidiano dos flagelados. O que pude sentir acompanhando um pouco daquela rotina é impossível ser passada por palavras.

O calor dentro das “cabanas”, que tanto já foi abordado pelo jornalismo, é impossível de ser descrito, comparo-o apenas ao calor que sai do forno quando abrimos sua porta. O odor fétido por todo o acampamento é comparável apenas ao de cadeias imundas e superlotadas. A expressão de dor, de sofrimento, de abandono que se extrai do rosto de cada criança, de cada adulto, de cada idoso é a mesma, e igualmente impossível de comparar, mas talvez se assemelhe àquelas expressões de terror que fotógrafos de guerra conseguem captar.

Enfim, as impressões por mim expressas aqui estão infinitamente aquém daquela realidade, não posso dizer que recomendo que façam as mesmas visitas que fizemos, não, não mesmo, não recomendo a ninguém. A dor que o espectador sente reflete muito do que eles sentem e, acreditem, é insuportável.

Conviver diariamente em meio ao caos é o que acontece, conviver em sociedade já é tão difícil, imagine sequer ter noção exata de onde termina o seu espaço e começa o do outro.

Conclamo a sociedade a não esquecer aqueles flagelados, a cobrarem dos munícipes a solidariedade que se espera para amenizar um pouco esse sofrimento, estas pessoas perderam muito mais que bens materiais, perderam sua individualidade, sua identidade e até sua dignidade.

Ainda acredito que aqueles heróis do ano passado estão por aí, perdidos sem notícias que os inflamem a continuar ajudando e inspirando a esperança nesses corações. Façamos nossa parte.

sexta-feira, 17 de junho de 2011



Para refletir: "Ninguém acredita mais. As vítimas de assalto e outros crimes nem procuram a polícia para denunciar os fatos". Vereador João Luiz sobre a violência e insegurança em Alagoas

Um vice que ajuda a construir
Tem uma frase do meu amigo Sebastião Nery publicada em meu livro – “Arquivo Aberto. Crônica de um Brasil Corrupto” que diz : “ Os vices são como os ciprestes, só crescem à beira dos túmulos”. Em uma referência irônica e inteligente do grande jornalista e escritor à situação da figura do substituto legal do titular de cargo público. Conheci alguns vices que na verdade foram apenas “sombras”, outros que nada foram, pois se indispuseram com o dono do cargo logo no início do mandato.
Minha abordagem no entanto é sobre outro tipo de vice. Quando o candidato Teotônio Vilela anunciou o nome do seu companheiro de chapa eu escrevi: “É o nome certo”. Conheço José Thomaz Nonô muito antes do seu ingresso na vida pública. Nossos pais eram amigos e ele era freqüentador assíduo da nossa outrora gloriosa Palmeira dos Índios. Fomos companheiros de equipe no honrado governo de Guilherme Palmeira. Por convicção sempre fui seu eleitor. E foi um dos poucos votos do qual sempre me orgulhei. Pela sua atuação parlamentar, por sua integridade moral, pela sua visão ampla de interesse público. Fui contra a sua candidatura a senador e disse que ele iria “morrer politicamente”. Depois ao me encontrar disse-me: “Pedrinho, estou aqui vivo e pronto para a luta”. E estava mesmo. Faz o contraponto em sua função de vice-governador. Tem estilo próprio: é ágil, sabe como poucos “tricotar” na política, não abre mão de suas convicções sem ser radical, sabe ser enérgico quando preciso e dócil no trato com o semelhante. É de uma lealdade extrema, sem ser subserviente. Sua presença nas decisões acertadas do governo caminham paralelas e sintonizadas com a do titular da caneta, seu amigo e companheiro de longas datas. Eles se conhecem muito bem. A espinhosa construção da nova Alagoas conta com a sua marca. O futuro a Deus pertence, mas não é exagero afirmar que José Thomaz Nonô “asfalta” com competência o seu futuro político. E eu que disse que ele iria “morrer”.
Coisa para orgulhar
Esta semana fiz uma visita aos amigos João Sampaio e Douglas Apratto, os dois comandantes maiores do Cesmac (Centro de Estudos Superiores de Maceió). Após uma longa e prazerosa conversa fui conhecer alguns setores dessa instituição que é um orgulho para o alagoano. Fiquei encantado ao me deparar com a mais moderna biblioteca do setor privado ou público do estado, onde milhares de jovens estudam, pesquisam e elaboram trabalhos acadêmicos. Jamais imaginei tamanha modernidade em um suntuoso e funcional prédio, com equipamentos de última geração. Surpreendi-me com a mais moderna e equipada Galeria de Arte de Alagoas. Os avanços tecnológicos, físicos e também sociais são visíveis na instituição. Prometi voltar para conhecer mais e o farei.
As ruas falam mais
Já disse e repito: o prefeito Cícero Almeida tem destino e vocação política. Não é candidato, mas é o “dono” das próximas eleições e o seu sucessor passará por seu crivo e sua vontade. Ainda esta semana um conhecido cientista político local dizia aquilo que todos já sabem: “Almeida ainda terá um caminho promissor a percorrer, pois é um dos maiores fenômenos políticos na história de Alagoas.Não dá para creditar a ascensão dele a outros políticos. Isso não é resultados de grupos, nem de aliança. Os fenômenos crescem, surgem sozinhos. Isso é uma característica marcante desses tipos de políticos”. A opinião técnica apenas reforça a voz que vem das ruas, dos grotões da periferia e da maioria das classes sociais de Maceió. Apesar das pedras que lhes são atiradas pelos adversários o prefeito Cícero Almeida continua com uma aprovação recorde e assim vai chegar na hora de escolher seu sucessor. “O homem é um trator carregado de votos”, dizia-me um sábio político.
Uma nota infeliz
Ainda recentemente a Secretaria de Comunicação do Governo deu uma tremenda pisada de bola ao colocar palavras impróprias na boca do governador Teotônio Vilela, quase criando uma crise com os movimentos grevistas. Foi preciso que “bombeiros” salvassem a vexatória situação. Agora repete o erro primário quando em outra nota infeliz e irresponsável anuncia que: “O governador comemora fim das greves no serviço público”. A nota com péssima redação foi distribuída para a imprensa que publicou até por maldade. Os servidores públicos “engoliram” o aumento concedido ( o possível para o governo), mas não ficaram nada satisfeitos com os índices. As categorias não se acham agraciadas e se revelam totalmente insatisfeitas. Diante deste quadro negativo comemorar o que? A infeliz nota compromete o governador que não deve ter comemorado nada.
Vai um baseado ai “cumpadi”?
Em decisão unânime o Supremo Tribunal Federal liberou a realização da “Marcha da Maconha” diante do argumento de que "O Estado não pode nem deve inibir o exercício da liberdade de reunião ou frustrar-lhe os objetivos ou ainda pretender controle oficial sobre o objeto da passeata ou marcha. É perfeitamente lícita a defesa pública da legalização das drogas na perspectiva do legítimo exercício da liberdade de expressão".
Daqui a pouco, sob o mesmo argumento, vão liberar as marchas da Cocaína, do Crack, do Oxi e ainda autorizar a instalação de “cocainódromo”, “oxiolândia”, locais onde se possa “curtir um baseado” ou “cheirar um pozinho” sossegado, sem a perturbação da polícia. É assim que ajudam a combater as drogas?
João Lyra nas paradas
Tudo está caminhando para se tornar realidade a candidatura dos sonhos do prefeito Cícero Almeida para sua sucessão. A movimentação dos aliados é intensa no tentar convencer o deputado João Lyra aceitar o desafio. Com a tranqüilidade de não precisar se afastar do mandato parlamentar, tem um potencial de votos digno de respeito, terá os mais fortes aliados em seu entorno e de quebra a garra de um agradecido e leal companheiro carregando na bagagem os votos e a maior aceitação já vista em um administrador da capital. Um vencedor na vida privada será a oportunidade de João Lyra mostrar o que sabe fazer como gestor público. Eu acredito.
PÉ DE PÁGINA
Não adianta fazer com pressa se é para fazer mal feito. A pressa é inimiga da perfeição. É melhor fazer com critério, com competência e com planejamento responsável. Alagoas agradece.

O sonho maior da grande maioria dos palmeirenses era ter como prefeito Luciano Barbosa. Um conterrâneo competente que faz sucesso como um dos maiores gestores do Nordeste à frente da Prefeitura de Arapiraca. Se a legislação permitisse não haveria concorrente. Como não pode, a segunda opção passa a ser o nome do deputado Ronaldo Medeiros. O palmeirense já não suporta tantas escolhas equivocadas.

O governador Teotônio Vilela precisa cuidar enquanto é tempo para não cair na “maldição do segundo mandato”. Falta compromisso da equipe com o seu pensamento e sua pressa em continuar mudando Alagoas. Existem egos inflados demais, ciúmes excessivos e trabalho de menos. Depois não diga que não avisei.

sábado, 11 de junho de 2011





SEBASTIÃO NERY



A farsa Italiana




Rio – Em junho de 1982, foi encontrado estrangulado em Londres, embaixo da “Blackfriars Bridge” (“a Ponte dos Irmãos Negros”), o banqueiro italiano Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que acabava de quebrar, e tinha como diretores o arcebispo Marcinkus, o conde Umberto Ortolani e o chefe da P-2 italiana (maçonaria), Licio Gelli.
Nos dias seguintes, na Itália e na Inglaterra, apareceram assassinados varios outros ligados a Calvi. Não é só na Santo André do ABC petista que se “limpa a área”. No meio da confusão estava o conde papal Umberto Ortolani, um dos quatro “Cavaleiros do Apocalipse” italiano.

O CONDE
Quando, a partir de 1990, a Operação Mãos Limpas chegou perto deles, o conde Ortolani, banqueiro do Vaticano e diretor do Corriere de La Sera, depois de mais um magnífico almoço com Brunello di Montalcino, mostrava-me Roma lá de cima de sua mansão no Gianiccolo e me dizia :
– Isso não vai acabar bem.
Depende o que é acabar bem. Para ele e seus aliados acabou péssimo. Mas para a Itália acabou melhor do que se imaginava. O Ministério Publico e a Justiça italiana enfrentaram a disfarçada e criminosa aliança,que vinha desde a década de 50 entre a Democracia Cristã e seus aliados e a Máfia.
Houve centenas de prisões, suicídios. Nunca antes a Máfia tinha sido tão encurralada e atingida. Respondeu com atentados e bombas, detonando carros e assassinando procuradores, juízes e a esquerda radical.

“FORTES PODERES”
Os grandes partidos (a Democracia Cristã, o Socialista, o Liberal) explodiram. O Partido Comunista, conivente, desintegrou-se. E meu velho amigo conde, condenado a 19 anos, morreu em 2002, aos 90 anos.
O banqueiro, o maçon, o arcebispo e o conde eram uma história exemplar do satânico poder dos banqueiros, mesmo quando, como ele, um banqueiro de Deus, vice-presidente do banco Ambrosiano do arcebispo Marcinkus, que fugiu para os Estados Unidos, asilou-se e nunca saiu de lá.
Os que criticaram, sem conhecer os fatos, o ex-ministro Tarso Genro e Lula por terem dado asilo político ao italiano Cesare Battisti, deviam ler um livro imperdível: “Poteri Forti” (“Fortes Poderes, o Escândalo do Banco Ambrosiano”), do jornalista italiano Ferruccio Pinotti, abrindo as entranhas do poder de corrupção do sistema financeiro italiano, de braços dados com governos, partidos, empresários, Maçonaria e Mafia.

MÃOS LIMPAS
A Operação Mãos Limpas não teria havido se um punhado de bravos jovens, valentes e alucinados, das Brigadas Vermelhas e dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), não tivessem enfrentado o Estado mafioso, naquela época totalmente dominado pela Máfia.
O governo, desmoralizado, usava a Máfia para eliminá-los. Eles reagiam, houve mortos de lado a lado e prisões dos principais líderes intelectuais, como o filósofo De Negri (hoje professor em Paris) e o escritor Cesare Battisti, depois asilado na França e agora asilado no Brasil pelo STF.
Eu morava lá, vi tudo, escrevi muito. Quando cheguei a Roma em 90, como Adido Cultural, a luta ainda continuava, sangrenta, devastadora. Foram eles, os jovens rebeldes das décadas de 70 e 80, que começaram a salvar a Italia. Se não se tivessem levantado de armas na mão, a aliança Democracia Cristã, Partido Socialista, Liberais e Máfia estaria lá até hoje.

BERLUSCONI
Berlusconi é o feto podre que restou e um dia será extirpado. O ex-presidente da França, Jacques Chirac, corrupto com atestado público, a pedido de Berlusconi retirou o asilo político de Battisti e o Brasil lhe deu. Tarso Genro e Lula estavam certos. O problema foi, era e continua político.
O primeiro-ministro fascista Berlusconi e o desfrutavel presidente, o ex-comunista Giorgio Napolitano, esconderam-se quando o juiz Falcone foi assassinado e o procurador Pietro comandou a Operação Mãos Limpas. Agora ameaçam levar o Brasil à Corte Internacional de Haia. Uns pândegos.

BATTISTI
Por que a Itália não devolveu Caciolla, o batedor de carteira do Banco Central, quando o Brasil pediu? As Salomés de lá e de cá queriam entregar à Máfia a cabeça de Battisti, que não conheço, nunca vi e nunca li.
Mas, por acompanhar de perto as lutas do ultimo meio século da Itália, posso assegurar que a diferença entre Battisti e Dilma é que Dilma chegou ao poder e Battisti só chegou às livrarias.
A luta política que os dois fizeram era a mesma. As organizações a que pertenceram tinham os mesmos objetivos.
O que os diferencia é que Dilma nunca participou de ação armada e Battisti sim. Se tivessem surgido as mesmas situações que Battisti enfrentou, as armas de Dilma não eram para matar passarinho.

Em defesa do Sistema S O Brasil inteiro, (principalmente aqueles setores que produzem, formam e criam milhões de oportunidades de ...