segunda-feira, 6 de julho de 2009


Idas e vindas

O governo tucano anunciou a criação de uma secretaria da Paz sob um clima de guerra. Indicou um secretário que acabou recuando diante da confusão estabelecida com a possibilidade de o órgão só vir a existir após a extinção de cargos em outras secretarias. Desta forma, 14 assessores de comunicação perderiam o emprego para que a Paz pudesse vigorar. Houve protestos e a nova pasta entrou em regime de banho-maria.

Apesar de cerebrais, os tucanos costumam meter as patas pelos bicos quando se trata de administração pública. Quem não lembra dos primeiros 15 dias do atual governo? No dia 15 de janeiro de 2007, o Diário Oficia publicou decreto do governador suspendendo os aumentos concedidos na gestão passada. É bom frisar que durante o período de transição de governo, Luis Abílio, que administrava o Estado em 2006, manteve contatos com o futuro governador que não impôs obstáculos às ações. Após a posse, o tucano mostrou as garras, mas o funcionalismo reagiu com uma greve deflagrada no dia 16. O governo tucano foi a tal pronto criticado que uma semana depois revogou o decreto. Começava ali uma série de desencontros que resultou na crise que vivemos hoje: servidores insatisfeitos, aumento da violência, alta taxa de evasão escolar e estagnação econômica – não há qualquer tipo de planejamento, política de investimentos, ou coisa que o valha, a não ser a estratégia neoliberal do corte sem critérios. E olha que os tucanos chegaram a contratar duas empresas de consultoria para ajuda-los, a Macroplan e a INDG, usadas por Aécio Neves no seu choque de gestão em Minas Gerais. Chocados acabaram ficando os alagoanos com tantas trapalhadas.

Como se não bastasse, antes de mostrar serviço – o que acabou nunca acontecendo – o governo lançou um slogan ofensivo e cabotino, aquele que dizia que “honestamente nunca se fez tanto”. Tal desastre de marketing só veio a ser corrigido agora com a mudança de comando na secretaria de Comunicação – o slogan foi definitivamente deletado. Mais um recuo da atual administração, que vem se caracterizando pela indecisão, pelo vacilar constante e pela falta de fibra ao lidar com problemas cotidianos.

Essas idas e vindas do tucanato exasperam a sociedade que não vê a hora de se ver livre dos políticos emplumados. Um exemplo disso é resultado de uma consulta feita por um importante site de notícias sobre se o atual governador deveria ser candidato à reeleição. Mais de 80% que responderam a enquête disseram que não. Os tucanos, contudo, não passam recibo. Fechados no ninho acham que tudo vai bem, apesar de todos os indícios contrários.

Como não circula e tem horror aos pobres, o governador tucano acaba se dirigindo apenas aos ricos e poderosos de Alagoas, marionete da oligarquia da qual faz parte, refém do açúcar e do álcool (sem trocadilhos, por favor!). Enquanto isso, o povo está entregue à própria sorte, refém da violência desenfreada, enclausurado à espera de que um milagre aconteça, acreditando na Justiça divina já que a Justiça dos homens continua de olhos vendados. Precisamos realmente de paz, não uma paz de gabinete com ofícios às instituições responsáveis.


*É engenheiro e ex-governador de Alagoas

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