terça-feira, 19 de janeiro de 2010

D. Zilda Arns. Cidadã do Mundo

PEDRO OLIVEIRA
“Desde muito jovem eu sonhava em trabalhar como missionária para poder ajudar crianças e famílias pobres a ter mais oportunidades e melhor qualidade de vida. Quando decidi ser médica, pensava em ir para lugares como as comunidades ribeirinhas da Amazônia e as favelas do Rio de Janeiro, para cuidar de crianças”. (Zilda Arns) .


Sempre tive profunda admiração por duas extraordinárias mulheres com atuação no campo social do Brasil: Ruth Cardoso e Zilda Arns. Com a primeira tive um contato mais próximo, conversei com ela e a acompanhei em uma viagem feita à cidade de Paulo Afonso (BA) quando juntamente com as maiores expressões do empresariado brasileiro ali esteve para tratar do seu programa Comunidade Solidária. No período em que seu marido foi presidente da República teve dedicação sem precedentes para cuidar da causa dos menos favorecidos, sem o uso do dinheiro público e com a parceria saudável da iniciativa privada. Não necessitou de cargos públicos nem do glamour do poder para brilhar. Detestava ser chamada de “primeira dama” coisa que as demais sempre adoraram e algumas até exigiram. Em alguns momentos brilhou mais até que o próprio marido, quando se tratava de ação social. Não praticou o clientelismo e o jogo da mendicância tão útil eleitoralmente para os políticos que estão no poder.
Discordou muitas vezes da política social do governo e fez isso publicamente. Morreu em 2009, deixando uma grande lacuna.
Com a outra figura nunca tive um contato pessoal. Sei muito dela por conta de sua atuação a nível nacional e por informações que me foram passadas pelo amigo frei Betto. Trata-se da médica sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e que morreu tragicamente no terremoto do Haiti. Lá estava participando de uma série de visitas a paises da região e foi atingida por escombros quando caminhava por uma rua. Cumpria mais uma de suas missões humanitárias entre tantas que realizou no Brasil e no exterior.
Zilda Arns Neumann, 73 anos, era coordenadora internacional da Pastoral da Criança e também fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa,organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Era representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Em 1983, a pedido da CNBB, a Dra. Zilda Arns cria a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre da multiplicação dos dois peixes e cinco pães.
Em 2004 Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão semelhante, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.
Pelo seu trabalho na área social Zilda Arns recebeu condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); Prêmio Internacional em Administração Sanitária (OPAS/ 1994); títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Federal do Paraná, Universidade do Extremo-Sul Catarinente de Criciúma, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Sul de Santa Catarina. Dra. Zilda é Cidadã Honorária de 10 estados e 35 municípios; e foi homenageada por diversas outras Instituições, Universidades, Governos e Empresas.
Nasceu para fazer o bem e morreu praticando o amor ao próximo. Sua vida ficará gravada na história da cidadania do Brasil e do Mundo.

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